MENSAGEM DO PASTOR: JUNTOS, SEJAMOS DISCÍPULOS DE JESUS EM MISSÃO

Caros irmãos em Cristo, paz e bem!

       Estamos vivendo este mês de junho como um tempo de graças privilegiado diante de todas as celebrações em que vivemos o dom de nossa fé. Assim, juntos, sejamos discípulos de Jesus em missão; em missão nos vários ambientes em que nos encontramos, com as mais variadas situações de vida, com as mais diferentes realidades humanas com as quais nos envolvemos. Sejamos setas que apontam para o caminho: Jesus Cristo!

       Num primeiro momento, vivemos a grande solenidade de Corpus Christi, onde somos convidados pela nossa mãe, a igreja, a experimentarmos em nós o grande amor de Deus quando, nos enviando o seu Filho, Ele se tornou nosso alimento que nos garante vida eterna. Cada vez que participamos da Eucaristia, somos mais ainda inseridos no Corpo Místico de Cristo, pois como nos recorda o papa São João Paulo II: “A Igreja vive da Eucaristia […] Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial. Isto é visível desde as primeiras imagens da Igreja que nos dão os Atos do Apóstolos: “Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão, e às orações” (2, 42). Na “fracção do pão”, é evocada a Eucaristia.” (Ecclesia de Eucharistia, nº 1.3)

       Este grande mistério de amor nos garante a nossa vida e ressurreição. Cada Eucaristia é única em nossa vida. E como nos recorda São Carlo Acutis: “A Eucaristia é a minha estrada para o céu.” Por isso irmãos: nunca deixemos de participar deste grande mistério que é a Eucaristia.

       Que a nossa participação fervorosa da Santa Eucaristia nos torne sinais de Cristo para o mundo que ainda busca apenas por maná, que nuca trará respostas e vida para as mais profundas necessidades do ser humano.

       Depois, temos também o momento da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Diz-nos o Papa Leão XIV em sua encíclica Dilexit nos: “A devoção ao Coração de Cristo não é o culto a um órgão separado da Pessoa de Jesus. O que contemplamos e adoramos é a Jesus Cristo por inteiro, o Filho de Deus feito homem, representado numa imagem sua em que se destaca o seu coração. Neste caso, o coração de carne é entendido como imagem ou sinal privilegiado do centro mais íntimo do Filho incarnado e do seu amor ao mesmo tempo divino e humano, porque, mais do que qualquer outro membro do seu corpo, é «o índice natural ou o símbolo da sua imensa caridade.” (n. 48)

       Diante deste grande acontecimento do Coração de Jesus atravessado pela lança do soldado na Cruz, nasce a Igreja, sua Esposa, de seu lado aberto. Os sacramentos do Batismo e da Eucaristia que nos faz membros deste Corpo de Cristo, também nos impulsiona para a missão.

       Juntamente com o Coração de Jesus, também comemoramos o Imaculado Coração de Maria. Pio XII, na Encíclica Haurietis aquas (15-V-1956), fala do Coração de Jesus, como principal indicador e símbolo do amor com que o divino Redentor ama continuamente o Pai eterno e todos os homens e como “síntese de todo o mistério da nossa Redenção” (n.36). Aconselha a unir estreitamente esta devoção à devoção ao Imaculado Coração da Mãe de Deus. Ele próprio, com um ato solene, consagrou a Igreja e o mundo inteiro ao Imaculado Coração da Santíssima Virgem, como já haviam sido consagrados ao Coração de Seu Filho.

       O Concílio Vaticano II, na Constituição Lumen Gentium (n.53, 58), refere o Coração de Maria associado à obra da redenção e da santificação e à sua mediação maternal na ordem da graça (n.60-62). São Paulo VI no encerramento do Concílio (21-XI-1964) proclamou a Santíssima Virgem como Mãe da Igreja, renovou a Consagração ao Coração Imaculado de Maria e anunciou o envio da rosa de ouro ao Santuário de Fátima. O mesmo Pontífice, na Exortação Apostólica Signum magnum, de 13-5-1967 – data muito significativa, pois veio a Fátima nesse dia – exortou os fiéis a renovar a Consagração ao Coração Imaculado da Mãe da Igreja e a viver este ato com uma vida cada vez mais conforme à vontade divina.

       E, finalmente celebramos a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, colunas principais da Igreja de Cristo. É sobre a fé dos discípulos (isto é, sobre a sua adesão ao Cristo, que veio do Pai ao encontro dos homens com uma proposta de vida eterna e verdadeira) que se constrói a Igreja de Jesus. Por isso estes dois apóstolos são colunas da Igreja. O que é a Igreja? É a comunidade dos discípulos que reconhecem Jesus como “o Messias, o Filho de Deus”. Que lugar ocupa Jesus na nossa experiência de caminhada em Igreja? Porque é que estamos na Igreja: é por causa de Jesus Cristo, ou é por outras causas (tradição, inércia, promoção pessoal…)?

       A Igreja de Jesus não existe, no entanto, para ficar a olhar para o céu, numa contemplação estéril e inconsequente do “Messias, Filho de Deus”; mas existe para o testemunhar e para levar a cada homem e a cada mulher a proposta de salvação que Cristo veio oferecer. Temos consciência desta dimensão “profética” e missionária da Igreja? Os homens e as mulheres com quem contactamos no dia a dia – em casa, no emprego, na escola, na rua, no prédio, nos acontecimentos sociais – recebem de nós este anúncio e este convite a integrar a comunidade da salvação?

       Possamos a exemplo dos santos apóstolos também sermos portadores deste encontro com Jesus Cristo, que transformando a nossa vida nos leve a viver o nosso batismo na santidade e com testemunhas do Senhor a tantos que ainda não fizeram sua adesão ao Senhor.

       Que este tempo seja um tempo forte de vida, graça e conversão a cada um de nós.

A todos minha bênção!

Padre Carlos Marchesani, Pároco