Quarta-feira da XVIII Semana do Tempo Comum



Padre José Luiz Nascibem - Paróquia São Benedito

Evangelho: Mt 15,21-28
Naquele tempo: Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia. Eis que uma mulher cananéia, vindo daquela região, pôs-se a gritar: "Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!" Mas, Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: "Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós." Jesus respondeu: "Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel."
Mas, a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar: "Senhor, socorre-me!" Jesus lhe disse: "Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos." A mulher insistiu: "É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!" Diante disso, Jesus lhe disse: "Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!" E desde aquele momento sua filha ficou curada.
Palavra da Salvação.

Leitura:
Procure ler o texto lentamente, atento a cada palavra e expressão. Guarde o trecho que mais lhe chamar a atenção.
No texto que meditamos na liturgia de hoje, Jesus cura a filha de uma mulher cananeia. A mulher, estrangeira, chega diante de Jesus a fim de pedir que ele cure sua filha. Jesus, no entanto, manifesta a crença do Antigo Testamento de que o Messias viria apenas para Israel, não para os estrangeiros. A fé daquela mulher, que insiste no desejo da cura, mostra que o poder de Deus em Jesus não conhece fronteiras, mas estende-se por todas as nações. Para ela, até mesmo uma migalha de salvação que cai da mesa de Jesus pode ser suficiente para curar a filha. Sua fé a salva, porque assim é com todas as curas realizadas por Jesus: é pela fé que as maravilhas são alcançadas.

Meditação:
O que o texto diz para mim, hoje, a partir da situação pela qual tenho passado (minhas alegrias, tristezas, desafios, conquistas)?
O texto que lemos hoje mostra uma conversão do pensamento de Jesus a respeito do próprio ministério. No diálogo com a estrangeira, Jesus percebe que o poder de Deus que há nele não pode estar limitado a uma única nação, mas é suficiente para salvar toda a humanidade. Esse trecho de Mateus ajuda no projeto total do Evangelho, que é o de oferecer uma nova compreensão para o Antigo Testamento: o Messias, filho de Deus entre os homens, vem para todos e não só para alguns. Precisamos pensar, a partir deste texto, em quantas vezes, nós tentamos afastar algumas pessoas de Jesus por pensar que elas não eram dignas de receberem a graça de Deus. Quantas vezes achamos que o poder de Deus não podia se manifestar na vida de alguém? “Ah, mas logo ele, vivendo em tantos erros, conseguiu tal feito? E eu, que sou temente a Deus não consegui nada!”. Deus não faz esse tipo de distinção, mas realiza sua graça em nós no tempo correto, segundo as nossas necessidades, correspondendo à nossa fé. Não podemos correr o risco de afastar nossos irmãos da mesa de Jesus, mas devemos nos empenhar em trazer à mesa da salvação todos os que andam afastados.

Oração:
A partir da Palavra meditada, apresente ao Senhor a gratidão de seu coração e também seus pedidos.
Peçamos ao Senhor, iluminados pelo trecho do Evangelho meditado, que ele nos conceda uma fé tão firme e decidida quanto a daquela mulher cananeia – certa de que qualquer migalha poderia salvar uma vida. Que o Senhor possa orientar-nos com sua sabedoria, para que nunca afastemos ninguém da salvação, mas tenhamos sempre a consciência de que todos nós somos dignos e destinatários da salvação que Jesus traz.

Contemplação:
A palavra meditada precisa também tornar-se ação. Como viver o que meditamos em nossa vida? Pense em ações concretas que possam surgir da meditação do dia de hoje.
Como anunciar a salvação de Jesus a alguém que não se enxerga digno dela? Há, entre nós, muitos que acreditam não serem dignos de chegar até Jesus. Como mostrar a essas pessoas que o Senhor tem os braços abertos a todos nós? Como podemos, também nós, nos esforçarmos para que a nossa fé seja também firme como a da mulher cananeia?

Fonte: catolicoorante