SÃO JOÃO MARIA VIANNEY, PRESBÍTERO E CONFESSOR



Padre José Luiz Nascibem - Paróquia São Benedito

Evangelho: Mateus 15,1-2.10-14
Naquele tempo, alguns fariseus e escribas de Jerusalém vieram um dia ter com Jesus e lhe disseram: "Por que transgridem teus discípulos a tradição dos antigos? Nem mesmo lavam as mãos antes de comer". Depois, reuniu os assistentes e disse-lhes: "Ouvi e compreendei. Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem". Então se aproximaram dele seus discípulos e disseram-lhe: "Sabes que os fariseus se escandalizaram com as palavras que ouviram?" Jesus respondeu: "Toda planta que meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala". Palavra da Salvação.

Leitura:
O texto da liturgia de hoje mostra que Jesus e seus discípulos, com suas ações, escandalizavam as autoridades do seu tempo – que detinham o poder tanto político quanto religioso. O texto que ouvimos começa com um questionamento feito a Jesus. Os fariseus querem confrontá-lo porque seus discípulos não cumprem os preceitos da antiga Lei. Adiante, Jesus dirá aos seus ouvintes que não é o que entra no homem que o torna impuro – talvez fazendo referência a todas as restrições alimentarem que a Lei continha – mas sim o que sai de sua boca: suas palavras, suas proibições, suas repreensões, seus maus julgamentos e ensinamentos. Os discípulos se preocupam com Jesus porque o que ele diz reforça ainda mais a rejeição que ele encontra entre as autoridades. Jesus, no entanto, não se preocupa com isso. Ele confia no julgamento do Pai.

Meditação:
O Evangelho, em especial o de Mateus, conduz cada discípulo – leitor e ouvinte – a refletir sobre a verdadeira prática da Lei de Deus. Jesus, no Evangelho de Mateus, vem para reconstruir a prática verdadeira da Lei antiga, aquela que acompanhara o povo desde o Sinai, mas já não estava mais sendo praticada corretamente, com sinceridade de coração. Jesus dá uma nova compreensão à Lei mostrando que as pessoas não devem ser escravizadas ou aprisionadas em nome da Lei, mas a Lei é quem deve estar ao seu serviço, representando um caminho seguro para se chegar a Deus. É por isso que os discípulos e Jesus não se preocupavam com a Lei como os fariseus. Para os fariseus, a Lei garantia seu próprio poder. Para Jesus e os discípulos, a Lei era caminho para chegar a Deus – eis a diferença! Quando Jesus coloca o ser humano e suas necessidades acima da Lei ele justifica o porquê de pregar no sábado, curar nos dias em que não era permitido trabalhar, comer com os pecadores…. porque também estes eram meios pra se chegar a Deus. Precisamos pensar, hoje, como temos escolhido chegar a Deus: escolhemos isso pela Lei e pelos preceitos da nossa religiosidade, ou escolhemos chegar ao Senhor pela proximidade e pela atenção ao nosso irmão? Cumprir a Lei é importante, assim como é também imprescindível cumprir os preceitos atuais da nossa Igreja. Mas todos esses preceitos devem servir como um caminho por meio do qual nos tornamos mais próximos do Senhor e fazemos de nosso coração semelhante ao dele: próximo das pessoas, atento às suas necessidades, sensível aos seus sofrimentos, responsável por transformar o nosso mundo.

Oração:
Senhor, ajuda-nos a encontrar o lugar verdadeiro da vossa Lei em nossas vidas. Indica a nós o caminho correto para a sua prática, dá-nos o dom do discernimento para saber quando é que as pessoas devem ser colocadas em primeiro lugar, ainda mais importantes que a vossa Lei e a vossa Palavra. Aumenta em nós o amor pela vossa Palavra e a coragem para cumpri-la e anuncia-la, mesmo quando encontrarmos a rejeição em nossa sociedade. Cuida do que sai da nossa boca, para que sejam palavras cheias da vossa Palavra, sinais da vossa sabedoria e do vosso Espírito que fala em nós.

Contemplação:
Iluminados pela Palavra que meditamos, vamos cuidar das palavras que saem da nossa boca? Que tal assumir o compromisso de falar do Evangelho para alguém que caminha distante de Jesus? Vamos pensar melhor no que dizer para que aquilo que sair da nossa boca possa manifestar a fé que professamos, de modo coerente com o Evangelho.

Fonte: catolicoorante