GESTÃO DE CONFLITOS: O DESAFIO DE CONVIVER COM A DIVERGÊNCIA DE IDEIAS

Aparecido Soares de Alcântara Filho¹

Embora não tenhamos dúvidas de que o ser humano possui a necessidade de viver em sociedade, há também um certo consenso de que a vida em sociedade é repleta de desafios resultantes das mais diversas formas de conflitos que são ocasionados pela diversidade de ideias, crenças e valores que emergem da discordância ou interesses divergentes entre as pessoas. É importante que saibamos que a existência de divergências entre os membros de uma sociedade não significa necessariamente que esteja acontecendo um conflito, mesmo porque a divergência não é o conflito em si. Ela poderá ser sua causadora, se não for vista como acontecimento normal em se tratando de relações humanas. O conflito só vai surgir nas situações em que a discordância de ideias conduzir as partes à adoção de medidas que visem eliminar, neutralizar ou minimizar aquele que consideram seu oponente.

Existem várias formas de estabelecermos relações conflituosas com base nos confrontos improdutivos. Ela pode ocorrer em termos verbais, quando o objetivo de uma das partes é persuadir ou impor ao outro os seus próprios motivos, situação em que o oponente desconsidera o fato de que a tentativa de imposição por si só demonstra um grande desrespeito e abuso por parte de quem alimenta tal pretensão. Em outras ocasiões os conflitos produzem ações materializadas em forma de violência direta ou velada, com os mesmos objetivos da situação anterior, ou seja, a imposição de uma determinada opinião ou valores sobre o outro. Como essa situação normalmente funciona nas duas direções, o conflito se instala, podendo conduzir as duas partes a um ciclo de agressões e atitudes beligerantes, cujo resultado normalmente é negativo para todos. Para que casos assim não sejam os vilões das suas relações interpessoais, sugerimos a adoção de medidas preventivas, como as elencadas a seguir:
1- Investir na perspectiva ganhar-ganhar: essa perspectiva parte do princípio de que as partes envolvidas em uma determinada relação devem investir na formação de uma consciência de que o principal objetivo diante de alguma divergência não é necessariamente que alguém tenha que prevalecer sobre o outro, fazendo valer a sua vontade em detrimento da vontade das outras partes discordantes, mas sim encontrar uma solução em que todos ganhem, isentos de teimosia e imposições. Por isso, é importante ter presente essa perspectiva, recordando sempre que a relação não deve ser estabelecida com base no “eu” ou “tu”, mas sim na base do "nós''. Tal visão, quando adotada, potencializa o alcance de soluções consensuais, gerando resultados melhores que aquelas soluções impostas.
2. Adotar atitudes de empatia: se desejamos verdadeiramente que nossas relações sejam positivas e harmoniosas, devemos nos esforçar para desenvolver a escuta ativa, a fim de compreender as razões e argumentos dos implicados na discussão. Somente assim conseguiremos entender o que está ocorrendo, conseguindo também elaborar soluções baseadas naquilo que contempla também o ponto de vista e a vontade das outras partes. Ao adotar tais atitudes passamos a ver o problema do ponto de vista da outra pessoa, podendo assim saber como nos sentiríamos se vivêssemos as circunstâncias da outra parte, sendo muito provável que a nossa perspectiva mude.
3. Procurar identificar o problema. Se desejamos de fato, chegar à solução saudável de um determinado conflito, é imprescindível que primeiro conheçamos o problema na sua integralidade. Para localizar a verdadeira raiz do conflito é importante diferenciar as disputas que estão em jogo, quais foram sua origem e quais são aquelas que foram se criando como consequência do problema raiz. Ao fazer a distinção entre o problema raiz e os dele resultantes, adquirimos as condições de ver a situação pelas partes, evitando assim cometer o equívoco de fundir todos os problemas em uma mesma categoria, o que compromete a busca por soluções.
4. Desenvolver uma comunicação clara e assertiva. Se desejamos atuar proativamente na gestão de conflitos, devemos evitar fazer rodeios ao expor nossa percepção e sentimentos diante daquilo que está nos ferindo. Devemos ainda tomar o devido cuidado com a escolha das palavras e da maneira como falamos em sinal de respeito à pessoa com quem estamos tentando nos resolver, entendendo que sinceridade e assertividade não é permissão para a prática da insensibilidade.
5- Tente Visualizar o resultado esperado. É muito importante aprender a usar nossa imaginação para visualizar os resultados que almejamos em nossa vida. Na relação com as pessoas não é diferente. Essa prática consiste em nos concentrarmos em qual seria a situação desejada, a fim de criar mentalmente o procedimento para alcançá-la.

Além de ajudarmos a encontrar a resolução do conflito, este mecanismo nos ajudará a iniciar a gestão do problema a partir de uma atitude positiva.
Procure desenvolver bons hábitos de convivência e passe a experimentar o doce sabor
de compartilhar sua trajetória existencial de forma mais harmoniosa e feliz. Que tal fazer a experiência?

¹ Psicanalista e Filósofo Clínico.
Contato: aparecido.alcantara@hotmail.com.br / (11) 99545-9007