Festa de São Pedro e São Paulo, viva a Igreja!

Padre Carlos Aparecido Marchesani, Pároco

Publicada no O Evangelizador de julho de 2021

Caros irmãos em Cristo, no dia 04 de julho, domingo, a Igreja celebrou a festa dos apóstolos Pedro e Paulo, colunas da Santa Esposa do Cordeiro. Os católicos do mundo inteiro celebram a solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. A eles é devido um culto especial. Na verdade, a data da celebração é 29 de junho que, segundo uma antiga tradição romana, é o dia em que os dois Apóstolos foram martirizados. No entanto, a Igreja, querendo venerar de forma condigna estes dois gigantes da fé, transfere especialmente para o Brasil a celebração para o domingo seguinte, neste ano, dia 4 de julho.

A solenidade de São Pedro e São Paulo é muito antiga. Em meados do século III já encontramos testemunhos desta celebração. O calendário Filocálio e o Martirológio Jeronimiano informam que São Pedro era celebrado na Via Aurélia e São Paulo na Via Ostiense. Na antiguidade, as festas dos santos eram celebradas em seus túmulos ou na proximidade deles. Por isso, como se constata acima, havia dois ofícios religiosos: no túmulo de São Pedro e no de São Paulo.

Santo Agostinho, no século V, afirma: “Num só dia celebramos o martírio dos dois Apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos Apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois Apóstolos”.

Assim, ao celebrarmos estes dois apóstolos nós celebramos o dom da fé apostólica que recebemos pelo mandato do próprio Senhor Jesus Cristo e a garantia que estaria conosco até ao fim do mundo (cf. Mt. 28,20b). O testemunho verdadeiro destes apóstolos testifica a beleza da Igreja de Jesus Cristo. Com a festa destes apóstolos celebramos o dia de Pedro, hoje o Papa Francisco e damos testemunho alegre e fiel da presença da Igreja no mundo como sacramento de salvação.

Os dois Apóstolos são vistos inundados de glória, participando do triunfo da Santíssima Virgem e, sobretudo, empenhados em exaltá-La. Sabe-se que esses dois atletas, arautos de Nosso Senhor Jesus Cristo, padecerão juntos o martírio e morrerão no mesmo dia. Presos pelos romanos pagãos, sofreram diversos suplícios. São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, o que devia significar um doloroso processo de morte, pois o sangue, atraído pela lei da gravidade, aflui ao cérebro e não tarda em produzir derrame ou apoplexia. A crucifixão poderia ser feita por meio de cordas que amarravam o corpo à cruz, ou por cravos que pregavam no madeiro as mãos e os pés dos condenados, como sucedeu com Nosso Senhor Jesus Cristo.

Os que crucificavam o Príncipe dos Apóstolos não tinham ideia de quanto, procedendo daquele modo, prestavam homenagem ao Papado. Disse o Divino Mestre ao primeiro Papa: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).
De outro lado, sendo cidadão romano, São Paulo pereceria pela espada. Prestes a ser decapitado, talvez tenha se lembrado de suas magníficas palavras, as quais me comprazo em recordar por muito admirá-las: Bonum certamen certavi, cursum consummavi (2Tm 4, 7) — “combati o bom combate, completei o circuito da carreira inteira que eu deveria percorrer”. Era uma alusão aos que disputavam corridas no circo romano. E acrescenta: “Guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa de justiça que o Senhor, justo juiz, me dará” (2Tm 4, 7-8).

Irmãos, alegremo-nos com esta festa e peçamos a Deus que ajude o Papa Francisco a governar a Igreja nestes tempos tão difíceis em que nos encontramos e que vivamos o dom de nossa fé e de nossa pertença alegre a Igreja Uma, Santa, Católica, Apostólica e Romana.