Catequese sobre Maria - Mãe fidelíssima (parte 1)

Mensagem do Pastor

Padre Carlos Marhesani

A vinda de Nossa Senhora à Cova da Iria, de Maio a Outubro encontra a sua razão de ser na sua maternidade. Ao ser Mãe de Jesus, Maria é Mãe de todos nós. Esta visita inesperada, com uma Mensagem de Amor e Verdade, é uma manifestação do seu cuidado maternal em relação a cada um de nós.

Mãe de Jesus e nossa Mãe. ”A sua descendência será famosa entre as nações”. A glória das mães são os seus filhos. Por isso, Maria é a mais gloriosa de todas, porque é Mãe do Redentor. Mas, ao tornar-se Mãe de Jesus, Maria é também nossa Mãe, Mãe da Igreja, Mãe de todo o Corpo Místico do qual Jesus é a Cabeça e o Espírito Santo a Alma.

Na Cruz, momentos antes de cerrar os olhos a esta vida mortal, Jesus proclamou a maternidade universal de Maria. “Jesus, vendo a Sua Mãe, e, junto d’Ela, o discípulo que amava, disse a Sua Mãe: ‘Mulher, eis o teu filho.’ Depois, disse ao discípulo: ‘Eis a tua Mãe'.” Todas as pessoas que vêm a este mundo são vocacionadas para serem suas filhas, porque Jesus, momentos antes de Se elevar ao Céu, convocou todos os povos a fazer parte da Igreja: “Foi-Me dado todo o poder no Céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei.” Foram os cuidados maternais de Nossa Senhora que trouxeram a Fátima, chamando a nossa atenção para as verdades do Evangelho.

Causa da nossa alegria. “Exulto de alegria no Senhor e a minha alma se alegra no meu Deus.” Maria é causa e caminho seguro da verdadeira alegria. Abriu o seu Coração materno à entrada de Deus no mundo, e Ele trouxe-nos a salvação. Foi ao ritmo do seu Coração enamorado que se deu o encontro do Verbo – a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade – com a natureza humana.

O Filho que a força do Altíssimo, ao descer sobre Ela, formou virginalmente no seu ventre, é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e assumiu d’Ela tudo o que tem de humano: a Sua Carne e Sangue, o Coração divino que nos amam, os Seus olhos que nos sorriem e movem, como qualquer filho em relação à sua mãe. É grato para nós recordar que toda a hereditariedade humana de Jesus foi recebida de Maria porque, segundo a natureza humana, como Homem, não houve a intervenção de um pai para que começasse a existir.

Ela é a Arca da Nova Aliança onde se deu o encontro entre o Céu e a terra, entre Deus e os homens, onde Ele se uniu para sempre à nossa humanidade, de tal modo que, como Deus, as Suas acções têm merecimento divino, infinito; e como pertence à família humana, pode representar-nos diante do Pai, apresentar-Se em nosso nome, para saldar a dívida infinita que havíamos contraído pelo pecado original e pelos pecados pessoais.

Mãe da divina graça. “porque me revestiu com as vestes da salvação.” Por Ele nos veio o maior dos dons: o próprio Deus feito Homem, trazendo-nos a filiação divina, como primeiro fruto da graça santificante. Fomos intrinsecamente transformados, tornados novas criaturas, de tal modo que podemos exclamar com São Paulo: “Vivo, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20). Maria veio a Fátima ajudar-nos a redescobrir a riqueza do nosso Batismo e a meta dos nossos passos, nesta caminhada terrena: “Eu sou do Céu!” “Sim, tu vais para o Céu… e a Jacinta, e o Francisco.”

Porta do Céu e apelo constante à santidade. “envolveu-me num manto de justiça” (de santidade, na linguagem bíblica). Ela nos alcançará de Deus a vitória sobre os nossos defeitos, tentações e pecados. É o caminho mais fácil e mais seguro para Deus. É da nossa experiência de cada dia que tudo se torna mais fácil e agradável na vida interior quando recorremos a Maria e percorremos o caminho guiados pela sua mão maternal. Se caminharmos com Ela, por uma devoção filial, sentir-nos-emos também envolvidos por este manto de justiça.

“Como a terra faz brotar os germes e o jardim as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante das nações.” Maria é um apelo constante à intimidade com Deus. Ninguém que se aproxime d’Ela pode permanecer longe de Deus.

Por isso, a Mensagem de Fátima, que atrai tantas pessoas a uma renovação e vida, é um fermento de santidade, um apelo constante à conversão. Maria, como a melhor das mães, ajuda a preparar o terreno do nosso coração para acolher esta semente divina.

Só na eternidade teremos a alegria de saber quantas pessoas reencontraram ali o caminho do Céu.