Opinião: 2020, um ano atípico

Aparecida Dalla Vecchia - coordenadora da PasCom São Benedito

Mês de Novembro, nos diz o Senhor: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Ap. 3,20). Assim, a Igreja Católica, adentra o mês de novembro, convidando os fiéis à lembrança de que a vida é feita de ciclos e esse tempo denominado como o ano de 2020, estás prestes a findar. É um tempo de se recolher, de se voltar para o lado interno de nossa caminhada e estar se preparando para experimentar o Natal. Portanto, é pertinente e oportuno fazer essa viagem para o interior, verificar aquilo que fizemos nem tão bom ou ruim.

2020 está sendo um ano atípico. O cristão é aquele que segue Jesus Cristo, ao receber os sacramentos do Batismo, da Reconciliação (Penitência), Eucaristia, Confirmação (Crisma), Matrimônio ou Ordem (para o diaconado, presbiterado ou bispado) e a Unção dos Enfermos, já fica ciente da missão de levar a Boa Nova, praticar a caridade, ter tempo para orar, jejuar, se penitenciar. Portanto, com tais possibilidades de “viver como Jesus viveu”, ainda que na contemporaneidade, nos dias atuais, é dever dos que professam a fé, entender que além do bônus, tem-se o ônus.

Logo, devo me atentar de como professo, como protagonizo Jesus Cristo. A Igreja nos entrega a Palavra e nos propulsiona para protagonizar os passos de Cristo com autenticidade e não fanatismo. Se sigo rigorosamente os ritos, rezo e penso que me penitencio, mas não saio do meu casulo, ainda que em tempo de pandemia, de desemprego, de ausência de políticas públicas no campo social (Saúde, Educação, Habitação, entre outros), para encontrar e amparar o meu próximo, não estou sendo cristão. Se julgo, condeno meu próximo, promovo a fofoca, sem uma correção fraterna e caridosa, não estou sendo cristão. O julgamento que utilizo para condenar, humilhar meu próximo, poderá um dia se voltar contra mim.

Neste ano de 2020 temos eleições municipais em todo o país, é dever moral de todo e qualquer cristão/cidadão se atentar para as promessas de cada candidato, a prefeito/vereador. Política e religião se irmanam, pois o voto errado afeta toda uma coletividade. Pode um político estar promovendo o desmonte da saúde, da educação, do meio ambiente, do emprego, das políticas inclusivas. Devo atentar-me se o candidato, por exemplo, diz ser contra o aborto, porém, cultua a política da morte em suas mais diversas formas.

O cristão precisa e deve saber votar. Errar é humano, mas não posso, não devo ser omisso, negligente ou fanático e radical (fundamentalista). O cristão deve exalar a essência da vida, da paz, da fé, da esperança. Assim, a Paróquia de São Benedito, por meio de seu clero e demais fiéis conclama a esperança, a caridade, a empatia, o amor próprio, bem como o amor ao próximo, pois “ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse, a língua dos anjos, sem amor eu nada seria...” como nos diz São Paulo (I Cor. 13,1). Assim, sigamos.

Mãe Aparecida, cobre-nos com teu manto de amor. São Benedito, o humilde, mostrai-nos os caminhos do Senhor!