Liturgia do 30º Domingo do Tempo Comum

Amar o próximo para amar a Deus

Partilha convosco, com alegria e humildade, o diácono José Carlos Pascoal, da Paróquia São Benedito, Diocese de Jundiaí.

A Liturgia deste domingo é extremamente pedagógica, conforme a pedagogia de Jesus, que é a pedagogia do amor. Não há outro meio de amar a Deus que não passe por amar as pessoas; não há outro meio de amar as pessoas se não amarmos a Deus. Isso é um “Encontro de Dois Amores”.

O Primeiro Mandamento da Lei de Deus, base do Decálogo entregue por Deus a Moisés, resume tudo: se amarmos a Deus de maneira total e real, amaremos o próximo, com toda a certeza. E, se assim o fizermos, estaremos facilmente cumprindo os demais mandamentos.

A primeira leitura nos exorta a sermos solidários, fraternos, misericordiosos, nos ensina a lutar em favor da justiça e dos direitos; nos ensina a amar. Se Deus nos ama, quer e deve ser amado. Se Deus nos ama, apesar de nossos defeitos e fraquezas, também deseja que amemos o próximo, apesar de seus defeitos e fraquezas. Somente Deus é perfeito e nos aceita, nos corrige e nos forma para a santidade.

A segunda leitura mostra o valor do testemunho. Paulo foi muito bem acolhido pela comunidade Tessalônica e retribuiu com o testemunho da Fé, a força da Palavra e a Ação Caritativa, cuidando das pessoas e sendo cuidado por todos. Por causa do testemunho, a fé se propagou.

O texto do Evangelho de Mateus deixa muito claro o que Jesus enfrentou diante dos fariseus: perseguição, zombaria, ameaças. Mas, seu inconformismo para com as atitudes dos fariseus, mestres da Lei, anciãos e sacerdotes do Templo era traduzido em gestos firmes e poder da Palavra. O Mestre nunca vacilou no enfrentamento, porque suas atitudes sempre foram carregadas de amor. Quis o Mestre que todos se convertessem e vivessem segundo os Mandamentos da Lei de Deus, por isso a sua firmeza.

O primeiro e maior mandamento “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!” é fundamental para vivermos melhor e em paz, para suportarmos as adversidades e sofrimentos. Mas, Jesus acrescenta o que se traduz em “Encontro de Dois Amores”: “O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Não se pode separar esse entendimento. Nos afirma João na sua Primeira Carta: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor é de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama, não conheceu a Deus, porque Deus é Amor.”

O cristão pode afastar-se momentaneamente dos homens, para orar, para pensar só em Deus. Pode fazer uma hora de meditação sem encontrar expressamente, na contemplação de um mistério divino, o pensamento das necessidades dos homens. Mas esse afastamento é sempre apenas provisório. O contemplativo, o que vive sabiamente sua espiritualidade descobre que serve aos homens servindo a Deus, e o ativo descobre que serve a Deus servindo os homens.

“Deus é amor e quem ama permanece em Deus”.

Louvado seja o Senhor.

Sejam amorosamente abençoados: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.