15 de setembro, Memória de Nossa Senhora das Dores

Diácono José Carlos Pascoal - Paróquia São Benedito de Salto (SP)
Diocese de Jundiaí (SP)

Desde criança, participando das celebrações, visitando o “quarto” das imagens da Igreja Matriz de Porto Feliz, São Paulo, me chamava a atenção duas imagens de Nossa Senhora que me “levavam” ao Calvário: Maria, recebendo o Filho Jesus morto em seu colo e Maria, com sete espadas cravadas em seu Coração.
Dois títulos de Maria para uma mesma situação: a Mãe assistindo à morte de seu Filho na Cruz, após atroz martírio, em pé, cheia de Fé, como que aceitando tudo, mas sofrendo as dores no seu coração imaculado. Nossa Senhora da Piedade, acolhendo o corpo inanimado de Jesus, e Nossa Senhora das Dores, o rosto sofrido, mas sereno.
O hino do Ofício das Leituras da Liturgia das Horas, celebrando Nossa Senhora das Dores é profundo, e deve nos levar à reflexão sobre como nos comportar diante do sofrimento extremo e da morte. “De pé a Mãe dolorosa, junto da cruz, lacrimosa, via Jesus que pendia. No coração transpassado sentia o gládio enterrado de uma cruel profecia. Mãe entre todas, bendita, do Filho único aflita, a imensa dor assistia. E, suspirando, chorava, e da cruz não se afastava, ao ver que o Filho morria. Pobre mãe, tão desolada, ao vê-la assim transpassada, quem de dor não choraria? Quem na terra há que resista, se a mãe assim se contrista ante uma tal agonia?
As sete espadas cravadas no coração da Mãe é o cumprimento de uma profecia do velho Simeão, quando da apresentação de Jesus no Templo. “Quando Maria pronuncia as palavras diante do arcanjo Gabriel “Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra”, já admite participar da vida, morte e ressurreição de Jesus. Admite, ainda que de maneira tão dolorosa, participar inteiramente da Paixão e Morte de seu Filho, mantendo-se o tempo todo aos pés da Cruz. Ali, recebe a cada um de nós como filho, através de João, o apóstolo amado.
São Bernardo de Claraval, o Doutro Mariano, assim se expressou: “Talvez haja quem pergunte: “Mas não sabia ela de antemão que ele iria morrer?” Sem dúvida alguma. “E não esperava que logo ressuscitaria?” Com toda a confiança. “E mesmo assim sofreu com o crucificado?” Com toda a veemência. Aliás, tu quem és ou donde tua sabedoria, para te admirares mais de Maria que compadecia, do que do Filho de Maria a padecer? Ele pôde morrer no corpo; não podia ela morrer juntamente no coração? É obra da caridade, ninguém a teve maior! Obra de caridade também isto: depois dela nunca houve igual!”
Faze, ó Mãe, fonte de amor, que eu sinta em mim tua dor, para contigo chorar! Nossa Senhora das Dores, ajuda-me a suportar com dignidade as dores e provações da minha vida, do meu ministério diaconal. Amém!