20 de agosto. Memória de São Bernardo de Claraval, abade e Doutor da Igreja

Irmãs e irmãos da Paróquia São Benedito, a graça e a paz do Senhor Jesus estejam convosco.

Diácono José Carlos Pascoal

Partilho esta reflexão sobre aquele que o papa Pio XII chamou de “o último Padre da Igreja, não o menor”, São Bernardo de Claraval. Suas obras de teologia e ascética são admiráveis e exercem influência até os dias de hoje.

Bernardo nasceu em 1090 no Castelo de Fontaine, França. Ainda muito jovem decidiu fazer-se monge em Cister. Um evento que, talvez, nunca ocorreu na Igreja, aconteceu por influência de Bernardo: seus irmãos, irmã, cunhada, tio e o próprio pai seguiram o místico na vida religiosa. Todos entusiasmados pela espiritualidade do terceiro dos irmãos.

Como numerosos jovens começaram a seguir Bernardo, houve necessidade de fundar outros mosteiros cistercienses, tarefa alegremente assumida pelo santo que, abraçado numa pesa cruz de madeira, deixou sua cidade acompanhado de doze religiosos cantando hinos e louvores ao Senhor. O testemunho maior de Bernardo sempre foi expressado no amor. Uma frase marcante: “Amo porque amo, amo para amar”.

“Grande coisa é o amor, contanto que vá a seu princípio, volte à sua origem, mergulhe em sua fonte, sempre beba donde corre sem cessar. De todos os movimentos da alma, sentidos e afeições, o amor é o único com que pode a criatura, embora não de maneira digna, responder ao Criador e, por sua vez, dar-lhe outro tanto. Pois quando Deus ama não quer outra coisa senão ser amado, já que ama para ser amado; porque bem sabe que serão felizes pelo amor aqueles que o amarem”.

Nós os Diáconos, temos no exemplo de São Bernardo, motivos para nunca deixarmos de amar a Deus, ao próximo, a própria vida. Recordo uma frase/canção da Renovação Carismática Católica que corresponde ao ensinamento de São Bernardo: “A melhor Oração é Amar”. Quanto mais sentimos necessidade de orar, mais sentimos necessidade de amar. Essa graça nos é dada pelo Espírito Santo, exortada por Jesus nos Evangelhos, explicada por São João em suas cartas e testemunhada por tantos santos e santas.

Por fim, Bernardo também se mostrou ardoroso devoto da Virgem Maria, mãe de Jesus e nossa Mãe. Seus “Comentários ao Cântico dos Cânticos” é uma declaração de amor a Maria, pela qual tornou-se autor e compositor, compondo o belíssimo hino “Ave Maria Stella”. Criou também a invocação final da oração da Salve Rainha: Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria”.

Pouco antes de sua morte, a 20 de agosto de 1153, consolava seus irmãos monges: “Não sei a quem escutar, se ao amor dos meus filhos que me querem reter aqui em baixo, ou ao amor do meu Deus que me atrai lá para cima”. Que sejamos cada vez mais Diáconos amorosos para também levar a paz e a unidade ao mundo, como foi intensamente o ministério de São Bernardo de Claraval.

Abençoe-vos o Deus amoroso que é Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.