15 de agosto - Assunção de Nossa Senhora

Diácono José Carlos Pascoal
Paróquia São Benedito de Salto (SP) - Diocese de Jundiaí (SP)

“Ave, Maria, Cheia de graça, o Senhor é contigo”. Creio que a saudação do anjo já diz tudo do que a história reserva à Maria. Confirma nela a total graça de Deus, plenitude tal que talvez ela não soubesse a fundo. Concebida sem a mancha do pecado original, protegida por Deus e preservada sem mancha para ser a Mãe do Salvador, não poderia também ter a corrupção do seu corpo após sua morte.

Cheia de graça, esposa do homem justo José, mas esposa do Espírito Santo para gerar Jesus, fez, através da humildade, sobriedade, discrição e, principalmente, espiritualidade, uma caminhada santa, praticando a caridade e celebrando no templo, aconselhando e acompanhando os apóstolos após a ressurreição de Jesus.

É de São João Damasceno uma das mais agradáveis comparações sobre a Assunção de Maria. Diz o santo, comparando a Assunção em corpo e alma da Mãe de Deus com seus outros dons e privilégios: “Convinha que aquela que guardara ilesa a virgindade no parto, conservasse seu corpo, mesmo depois da morte, imune de toda corrupção. Convinha que aquela que trouxera no seio o Criador como criancinha, fosse morar nos tabernáculos divinos. Convinha que a esposa, desposada pelo Pai, habitasse na câmara nupcial do céu. Convinha que, tendo demorado o olhar em seu Filho na cruz e recebido no peito a espada da dor, ausente no parto, o contemplasse assentado junto do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse tudo o que pertence ao Filho e e fosse venerada por toda criatura como mãe e serva de Deus”. (Const. Apostólica Munificentíssimus Deus, Pio XII)

A definição dogmática, pronunciada por Pio XII em 1950, declara que Maria não precisou aguardar, como as outras criaturas, o fim dos tempos para a ressureição corpórea, pôs em evidência o caráter único de sua santificação pessoal. Por fim, define também que, assim como a redenção de Cristo tem sua conclusão com a ressurreição do corpo, também a vitória de Maria sobre o pecado, com a Imaculada Conceição, devia ser completa com a vitória sobre a morte mediante a glorificação do corpo, com a Assunção, pois a plenitude da salvação cristã é a participação do corpo na glória celeste.