O silêncio de José

Diácono Edison da Silva Palagi – Paróquia São Benedito

É muito comum ouvirmos, ou lermos sobre o silêncio de Maria. E isso é um fato. O próprio Evangelho quando narra o reencontro de Jesus no templo, afirma que a mãe de Jesus, porém, diante de todo o ocorrido, “guardava todas essas coisas em seu coração” (Lc 2,51). Também aos pés da Cruz (Jo 19, 25) Maria foi “santo silêncio”. Se Maria foi um exemplo fiel do recolhimento, da mesma forma seu fiel e castíssimo esposo.

Pouco se fala desse homem, mas o pouco apresentado naquilo que revela a Sagrada Escritura mostra um homem “profundo”. Diante da frustração da notícia de uma gravidez, nada de alarde, nada de escândalo (Mt 1, 19). Escândalo no caso de Maria e José naquele momento seria prenúncio de morte, mas no coração desse santo a morte não tinha vez. Apesar da crise pessoal, a vida e a Graça tomaram os espaços do coração de José que, certo do que o anjo do Senhor lhe dissera em sonho (Mt 1, 20), assumiu o compromisso. E esse compromisso não era um compromisso qualquer. Desertos, fugas, desterro, fariam parte da vida de uma Família Sagrada. Murmurações, reclamações, ou coisas do tipo? Certamente não era essa a atitude própria desse homem e dessa mulher eleitos por Deus. Nada escrito senão a santa verdade que faz transparecer a quietude e resiliência de um casal.

Aquele que cuidou de Jesus junto a Maria, silencioso, é percebido discretamente no Evangelho. Papel discreto, mas que sobretudo desvela um homem muito pouco preocupado consigo mesmo. Era preciso educar o Menino. Era preciso sustentá-lo a todo custo. Jesus era o centro de sua história, como deve ser da nossa. Um mistério se descortinava diante dos olhos daquele homem aberto à Verdade. Quantas mesas fez em sua carpintaria ninguém sabe. Quantas famílias foram servidas com o seu trabalho não se tem notícia. Mas isso não parece fazer parte da preocupação de José e o Espírito que inspirou os evangelistas, mais do que ninguém, sabia que essa lição deveria chegar até nós. Nada de alarde, nada de vanglória por ter cuidado do Filho do Deus Altíssimo e por cuidar de Maria, a futura mãe da nossa Igreja, essa que peregrinará até o fim dos tempos.

Esse é o padroeiro da nossa pequena comunidade São José Operário, Paróquia São Benedito, Diocese de Jundiaí, cuja vida, o trabalho e adesão a Deus celebramos. Um primeiro de maio, Dia do Trabalho, silencioso, mas quem sabe não possamos somar o nosso modo temporariamente recolhido de ser, ao modo recolhido e silencioso de José, para experimentarmos com ele, em família, a solidão que ele mesmo possivelmente sentiu durante a fuga para o Egito (Mt 2, 14), mas que não impediu que ele e Maria contemplassem o Mistério da nossa redenção que carregavam em seus braços.