DÍZIMO E SUAS FINALIDADES

Padre José Luiz Nascibem

Por muito tempo a Igreja teve o dízimo como lei. De 585 (Concílio de Mâcon) à Revolução Francesa (1789) a Igreja universal tinha como principal meio de sustentação o dízimo. Ao desembarcar no Brasil (1500), Pedro Alvares Cabral trouxe com ele o cristianismo, e também a lei do dízimo, que só deixou de existir com a proclamação da República (1889). Diz a CNBB: “No Brasil, inicialmente, no tempo de colônia e Império, vigorava a contribuição do dízimo, cobrado e em parte administrado pelo Estado, então oficialmente unido à Igreja. Quando do advento da República se deu a separação de Igreja e Estado, viu-se a Igreja privada dos recursos materiais ordinários para o cumprimento de sua missão evangelizadora” (Pastoral do Dízimo, Estudo 8, p. 38).

Ao repensar o dízimo, na década de 1950-60, a Igreja optou por não torná-la lei, como foi no período do Antigo Testamento e na história da Igreja, de 585 a 1789, indo no Brasil até 1889. Ao optar pelo dízimo como meio ordinário de sustentação das comunidades, a CNBB decidiu que ele não seria um compromisso jurídico, (obrigatório) e sim um compromisso moral (feito por opção). Cada cristão/cristã é convidado a ser dizimista. Não há imposição, e sim proposição. Não temos mais a “lei do dízimo”; agora somos chamados a contribuir com consciência e generosidade, e não por obrigação.

Afirmam os Bispos do Brasil que o dízimo nasce da fé; é uma atitude de fé. Ao contribuir, o dizimista tem consciência de que o faz porque crê em Deus, e sabe que a Igreja, fundada por Jesus e inaugurada pelo Espírito Santo, é um projeto do Pai para edificar o Reino de Deus. Essa contribuição, então, e distinta de qualquer outra, já que tem como fonte a comunhão com Deus. O dizimista católico o é unicamente como quem crê e adere ao que crê. É Deus que o move a partilhar o dízimo com o objetivo de sustentar a comunidade, comunidade esta que tem como missão anunciar Jesus e o Reino. Portanto, o dízimo sem a fé é incompleto, é mera ação humana. E mais: ao assumir o dízimo como um gesto de fé, o dizimista faz dele também uma partilha fraterna, já que é impossível amar a Deus sem amar ao próximo.

A finalidade Caritativa. Uma parte do dízimo deve ser destinada aos necessitados, aos pobres mais pobres. Seja pela assistência, seja pela promoção. Pela assistência atende-se àquelas necessidades urgentes, que não podem ser deixadas para amanhã, como alimento, roupa, remédio, entre outras. Não existirá evangelização completa e integral se os pobres não forem amados concretamente através da partilha. Daí que o dízimo leva à conscientização da opção preferencial e evangélica pelos pobres, e a torna uma exigência da fé.

A finalidade Missionária. Parte do dízimo e das ofertas deve ser investido nas missões, tanto aquelas a serem realizadas na própria comunidade, como aquelas a serem efetivadas fora da comunidade. Uma comunidade, se quer ser fiel a Jesus, deve “sair”, como pede o Papa Francisco, para ir ao encontro de quem já foi batizado, mas não conhece Jesus (nova evangelização) como de quem nunca ouviu falar Dele (ad gentes). A comunidade que se acomoda e fica contente com quem já participa perdeu, ou nunca teve, senso missionário.

A finalidade Eclesial. Entendo como finalidade eclesial de dízimo o que se gasta e se investe na comunidade, para que ele celebre, catequize, confraternize. Alguns exemplos: pagamentos das contas de água e luz, formação de lideranças, contratação de funcionários, cuidados com construções, reformas, manutenção do carro, aquisição de materiais litúrgicos e para a secretaria, ajuda de custo ao padre, entre outros. Essa é uma das finalidades do dízimo: fazer com que a comunidade tenha condições de cumprir a sua missão, a evangelização. Não é o caso, é claro, de gastar no que é luxuoso (isso seria desperdício e um contratestemunho!), e sim de investir com bom gosto e no que é necessário para os vários serviços comunitários. Da vela do altar à reforma de Igreja o dízimo está presente como um sinal de que a comunidade, com corresponsabilidade, assumiu a evangelização.

Fonte: padrecristovam.com,br