O SACRAMENTO DA UNÇÃO DOS ENFERMOS

Padre José Luiz Nascibem

Jesus deu-nos o sacramento do Batismo, com o qual nos limpa do pecado original e de todos os pecados cometidos antes do Batismo. Conhecendo a nossa fraqueza, deu-nos também o sacramento da Penitência, pelo qual se perdoam os pecados cometidos depois do Batismo. Finalmente, como que para ter toda a certeza de que ninguém perderá o céu, Jesus instituiu o sacramento da Unção dos Enfermos. Podemos defini-la como “um sacramento instituído para alívio espiritual e mesmo temporal dos fiéis que correm risco de morte por doença ou velhice”.

O antigo nome deste sacramento, “Extrema-Unção”, começou a ser usado nos fins do século XII. Nos séculos anteriores, era conhecido como “Unção dos Enfermos”, tal como nos nossos dias. O termo “Extrema-Unção” tinha um significado puramente litúrgico. Indicava que, geralmente, se tratava da última das quatro unções que um cristão podia receber: o Batismo, a Confirmação, a Ordem Sagrada e, finalmente, a Extrema-Unção. Mas o povo entendia erroneamente que se tratava da unção última e que, depois de recebê-la, o mais provável era que a pessoa morresse. Foi, pois, oportuno que o Concilio Vaticano II tivesse dado preferência ao termo “Unção dos Enfermos” sobre o de “Extrema-Unção”.

O óleo que se usa na administração deste sacramento é chamado “óleo dos enfermos” ou “Santos Óleos”. É um dos três óleos que o bispo da diocese abençoa na sua catedral na manhã de Quinta-Feira Santa; os outros dois são o Santo Crisma e o Óleo dos Catecúmenos, que é utilizado no Batismo. Ao administrar este sacramento, o sacerdote unge com o óleo a fronte e as mãos do enfermo. Em caso de necessidade, basta que realize uma única unção na fronte ou, segundo as condições do doente, na parte mais apropriada do corpo. Enquanto faz as unções, recita a seguinte oração: “Por esta santa unção e por sua piíssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos”. Quando chega o momento de ter que enfrentar o risco da morte, por doença ou velhice, experimenta-se normalmente uma sensação de grande angústia, o que é natural.

QUANDO DEVEMOS CHAMAR O SACERDOTE
Qualquer católico que tenha atingido o uso da razão pode e deve receber o sacramento da Unção dos Enfermos quando estiver em perigo de morte por doença, acidente ou velhice. Este sacramento pode ser repetido se o doente convalescer após ter recebido a Unção, ou também se, perdurando a mesma doença, vier a encontrar-se em situação mais grave. Também pode ser administrado antes de uma operação cirúrgica, se a causa da intervenção for uma doença grave.

Como o fim deste sacramento é confortar a alma em suas angústias, eliminar os efeitos do pecado e proteger-nos contra os seus assaltos, é evidente que este sacramento só pode ser conferido às crianças sempre que tenham atingido tal uso de razão que possam encontrar conforto nele. Pode ser dada a Unção aos doentes privados dos sentidos ou do uso da razão, desde que haja base para pensar que provavelmente a pediriam se estivessem no pleno gozo de suas faculdades.

Infelizmente, há às vezes pessoas que têm todo o direito de receber a Unção dos Enfermos, e que morrem sem recebê-la pelo descuido ou por um carinho errôneo dos que as assistem. É o que se passa quando se desconhecem ou se conhecem mal os fins deste sacramento. A Unção dos Enfermos não é apenas para os que estão prestes a soltar o último suspiro. Uma regra geral é que, se uma pessoa se encontra doente a ponto de precisar de um médico, deve também estar doente a ponto de ser necessário avisar o padre, pois normalmente não se chama o médico por qualquer doença sem importância.

Fonte: A Fé Explicada. Leo Trese. Editora Quadrante;