Conversando com Jesus e atualizando temas

Diácono José Carlos Pascoal – Paróquia São Benedito, Diocese de Jundiaí, SP
Pastoral da Moradia da Região 08 de Pastoral

Querido Jesus, venho conversar com você sobre um tema que está “estourando” nas chamadas redes sociais do Brasil. Estava somente desconfiado, mas cheguei à conclusão de que está aumentando o número de católicos, dentre eles do Clero e do Laicato, que ainda não entenderam sua proposta de vida e santificação.

Sabes que sou autodidata, mas que desde pequeno gosto muito de ler. Como sou grande fã de seu profeta Isaías, estou relendo um versículo do capítulo 42,3-4, em que ele escreve sobre você: “Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião; não desanimará, nem desfalecerá, até que tenha estabelecido a verdadeira religião sobre a terra, e até que as ilhas desejem seus verdadeiros ensinamentos”. Comecei aí a entender que a verdadeira religião só se vive através dos seus ensinamentos. Afinal, Tu és o Caminho, a Verdade e a Vida.

Fui reler o que escreveu Lucas, nos Atos dos Apóstolos (2), inspirado pelo vosso Espírito: “Perseveravam eles na doutrina dos Apóstolos, nas reuniões em COMUM, na FRAÇÃO DO PÃO e nas ORAÇÕES... Todos os fiéis viviam unidos e tinham TUDO EM COMUM. Vendiam as suas propriedades e os seus bens e dividiam-nas por todos, SEGUNDO A NECESSIDADE DE CADA UM”. Ainda nos Atos 4: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía: mas tudo dentre eles era comum... Não havia entre eles nenhum necessitado... Repartia-se então a cada um deles conforme A SUA NECESSIDADE”.

Foi você que inspirou Dom Helder Câmara a defender os pobres e excluídos, a motivar a Campanha da Fraternidade como ponto alto de reflexão evangélica na Igreja, e se chamam o querido e santo bispo de comunista, também o chamam assim. Foi você quem inspirou Dom Pedro Casaldáliga a defender os indígenas, quilombolas, pequenos proprietários de terras, todos eles vítimas da ganância dos poderosos, travestidos de progressistas e políticos. Se também chamam o querido bispo de comunista, também o chamam assim. Foi você quem inspirou Dom Luciano Mendes de Almeida a dialogar, assistir e promover socialmente os moradores de rua e migrantes, e se chamam o santo bispo de comunista, também o chamam assim. Foi você quem inspirou Dom Paulo Evaristo Arns a defender as vítimas da ditadura, a promover a justiça e enfrentar os poderosos, e se o chamam de comunista, também o chamam assim.

Foi também você que deu forças a Santo Dias, Irmã Dorothy, Padre Zozimo, Mariela Franco e tantos outros para lutar contra a injustiça social, a violência urbana e rural, a desigualdade social e a Ditadura Militar. Se também chamam esses mártires de comunistas, também o chamam assim. Afinal, foi você quem demonstrou compaixão pelo povo que sofre, conforme detalhou Mateus (9,35-38): Jesus percorria todas as cidades e aldeias... Vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estavam enfraquecidos e abatidos, como ovelhas sem pastor... A messe é grande, mas os operários são poucos. “Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe”. E ainda completou: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos” (10,16).

Por fim, Jesus, foi você que, ao multiplicar os pães e saciar a fome do povo disse: “Não é necessário ir comprar víveres: dai-lhes vós mesmos de comer”. Não é preciso ser versado em Teologia para entender seu recado: devemos aprender a partilhar. E, se quem partilha é chamado de “comunista”, então quero ser também assim chamado, porque hoje, quem critica as Pastorais Sociais, os Movimentos Sociais e Populares, os que praticam a Caridade, ainda não entendeu sua proposta de santificação, não entendeu ainda sua proposta evangélica. O que os dedicados agentes das Pastorais Sociais praticam, assim como os descritos acima, nada mais é do que fazer uma leitura atenta do seu Evangelho.

Então, Jesus, eu peço com devoção e piedade que o Vosso Espírito venha a agir com intensidade naqueles que enxergam a Igreja apenas dentro de si, com rigidez litúrgica e normas farisaicas, que ainda não compreenderam que a Palavra deve ser ouvida e praticada, que a prática da Palavra nos leva à Caridade, e que a Palavra e a Caridade se completam quando celebramos a Liturgia. Dai-lhes a graça de uma vez por todas, entender e aplicar o que nos trouxe o Concílio Vaticano II, sob a inspiração do Espírito Santo a São João XXIII e entender e aplicar o que o Santo Padre Francisco ensina: devemos ser UMA IGREJA EM SAÍDA.

Entendo que há o Comunismo político, que leva à opressão e tirania, obrigando os pobres a ter tudo em comum, enquanto os “líderes” se enchem dos bens. Mas a sua prática e aquilo que nós, agentes sociais da Igreja buscamos praticar, é “ter tudo em comum”. Jesus, descobri que sou comunista por sua causa. Mãe Aparecida, São Francisco de Assis e São Benedito, rogai por nós e pelos que precisam do auxílio da Igreja, enquanto o Estado é omisso. Amém