Por uma Cultura do Encontro

No final da Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, numa entrevista o papa Francisco falou que “é preciso estimular uma cultura do encontro, em todo o mundo, no mundo todo”. Falou de seu desejo de que “cada um sinta a necessidade de dar à humanidade os valores éticos de que a humanidade necessita”.

Há várias maneiras de “interpretar” a “cultura do encontro”. A falta de proximidade humana, provocada pela tecnologia digital; a “pressa”, que não nos dá tempo para as pessoas ao nosso redor; o egoísmo do “eu me basto”, e muitas outras opções que cada um deve ter em vista do tema.

O papa defende “uma realidade humana, na qual todos nós trabalhemos pelos outros, reduzindo o egoísmo”. Defende ainda um trabalho pelos outros segundo os valores da sua fé. “Cada religião tem suas crenças. Mas, dentro dos valores de sua própria fé, trabalhar pelo próximo. E nos encontrarmos todos para trabalhar pelos outros”.

O desafio é imenso, pois temos uma tendência natural ao afastamento, à defesa dos próprios conceitos, além de nos preocuparmos com a própria sobrevivência. Mas, desafio imposto, desafio aceito. Ou então, levados pelos próprios avanços tecnológicos, estaremos cada vez mais distanciados e não conseguiremos criar “uma cultura do encontro”.

A “cultura do encontro” traria imensos benefícios à toda a humanidade. E poderemos pensar em “toda a humanidade” a partir do próprio espaço em que vivemos. Se cada um tomar a iniciativa, logo atingiríamos o mundo todo. O mundo está em crise porque muita gente está perdendo a utopia. Problemas éticos na política, na religião, na sociedade existem para serem superados e isso será possível, diz o papa Francisco, se formos estimulados à “cultura do encontro”.

“Se há uma criança que tem fome, que não tem educação, o que deve nos mobilizar é que ela deixe de ter fome e tenha educação. Se essa educação virá dos católicos, dos protestantes, dos ortodoxos, dos judeus, não importa. O que me importa é que a eduquem e saciem sua fome”, diz o papa. Se tivermos a preocupação com o outro, com o mandamento de Jesus: “O que vos mando é que vos ameis uns aos outros” (Jo 15,17), então estaremos praticando a “cultura do encontro” em plenitude.

Diácono José Carlos Pascoal – Paróquia São Benedito - Diocese de Jundiaí (SP)